domingo, 2 de abril de 2017

Difícil é Desistir

De abril a novembro serão 100 imagens que não terão
muito a ver com cada texto exposto, mas haverá alguma
 leitura da forma apresentada. Suas cores reflete o DNA 
da administração do blog.



Difícil é Desistir
Henrique Xavier






Difícil é desistir
quando a lembrança lhe trai
matando a saudade e a raiva que lhe prendem

A resistência racional
a mentira como uma droga psicotrópica
versus a inteligência emocional
e a proposta tentadora da felicidade
quem tiver a vitória total eu invejo
pois a dificuldade de tê-la
nunca vi outra tão grande

A mágoa de uma derrota emocional
de ambos desafiantes
é um fator iníquo para nosso inconsciente
ou seria para nosso consciente?

Dentre as formas de convivência com os tipos de ocasiões
pior que a convivência com um fato sofrido
é a subsistência paralela a um não vivido
quando há uma falta de percepção do exato momento
ou fica-se na espera dele por tanto tempo
que há uma descapitalização do sentimento
eivando toda a esperança e probabilidade
de uma união

Só o sentimento se mantém
aquela paixão temporariamente criada
que poderia ou não evoluir para sentimento
é reabsorvida

Mas para acertar o momento
só se ambos tiverem sentimento
mas não qualquer um
e sim o mesmo concomitantemente

Os dias passam
e sempre ha um quê mal resolvido no ar
as lembranças da desilusão incentivam a racionalidade
que logo
quando está quase completa
sofre uma emboscada emocional

Algumas vezes
um simples 'oi' desencadeia a reação

E quanto menos emotivo se é
mais se sofre
na realidade não seria emotivo o termo
pois emotivo todos somos
no momento certo
porem quem é normalmente mais racional
frio
sente de forma mais intensa esse catabolismo da razão

Pelo fato de não estarem acostumados com esses sentimentos?

Acredito ser
pelo fato de enterrarem-nos
tão profundamente a si mesmo
que quando encontram-nos
não sabem como reagir

Perante a dificuldade de desistir
Só uma certeza se tem
Quando se apaixona por alguém
Mesmo que seja improvável
Mesmo que seja intransitável
A única saída é persistir



sábado, 1 de abril de 2017

Viagem

De abril a novembro serão 100 imagens que não terão muito 
a ver com cada texto exposto, mas haverá alguma leitura da 
forma apresentada. Suas cores reflete o DNA da 
administração do blog.



"Por que eu tenho que ir vê-lo partir?", Gógol pergunta à mãe. Sabe que, para os pais, o ato de viajar nunca é encarado casualmente, que mesmo na viagem mais corriqueira há alguém de quem se despedir na partida e alguém para recebê-los na chegada. E, no entanto, ele continua: "O Baba e eu já moramos em estados diferentes. Estou praticamente tão longe de Ohio quanto de Boston." [in 'O Xará' de Jhumpa Lahiri]






domingo, 26 de março de 2017

Saudade



Saudade
Aguinaldo Silva



Saudade é solidão acompanhada, 
é quando o amor ainda não foi embora, 
mas o amado já... 

Saudade é amar um passado que ainda não passou, 
é recusar um presente que nos machuca, 
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 

Saudade é o inferno dos que perderam, 
é a dor dos que ficaram para trás, 
é o gosto de morte na boca dos que continuam... 

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: 
aquela que nunca amou. 

E esse é o maior dos sofrimentos: 
não ter por quem sentir saudades, 
passar pela vida e não viver. 

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.







sábado, 25 de março de 2017

Ramos


"A cena daquele dia, que passou a ser conhecido como "Domingos de Ramos", me faz lembrar um fato, cuja descrição ouvi do próprio Dom Helder Câmara. O então Arcebispo de Recife estava nos Estados Unidos, participando de um Congresso Eucarístico. Constava do programa uma conferência que ele e Madre Teresa de Calcutá dariam em um grande estádio. Quando chegaram, a multidão, de pé, passou a aclamá-los. Então, Dom Helder se voltou para Madre Teresa e lhe perguntou, não sem certa ironia: "O que a senhora faz para que momentos assim não a deixem vaidosa?". Com simplicidade, ela lhe respondeu: "Muito simples: lembro-me do Domingo de Ramos e digo a Jesus: "Tu é que estás entrando aqui e sendo aclamado. Eu não passo do jumentinho que te carrega!"."

[in O jumentinhho e a vaidade de D. Murilo S. R. Krieger in 'Mensageiro' do Coração de Jesus, nº 1349, abril de 2017]





sexta-feira, 24 de março de 2017

domingo, 19 de março de 2017

José


José
G. Mouski






Olhe o que foi meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda a sua Galiléia

Casar com Débora ou com Sara
Meu bom José, você podia
E nada disso acontecia
Mas você foi amar Maria

Você podia simplesmente
Ser carpinteiro e trabalhar
Sem nunca ter que se exilar
De se esconder com Maria

Meu bom José você podia
ter muitos filhos com Maria
E teu ofício ensinar
Como teu pai sempre fazia

Por que será, meu bom José
Que este teu pobre filho um dia
Andou com estranhas idéias
Que fizeram chorar Maria

Me lembro às vezes de você
Meu bom José, meu pobre amigo
Que dessa vida só queria
Ser feliz com sua Maria