sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Sinos de Natal

Arquivo Pessoal


“Eu ouvi os sinos no dia de Natal tocando aquelas antigas canções familiares, que repetiam doces palavras, de paz na Terra e boa vontade aos homens.” [Henry Wadsworth Longfellow]





domingo, 13 de dezembro de 2015

Natal

Arquivo Pessoal

Natal
Sidnei Olívio

Despregar  da parede a cruz
e da cruz, o Cristo
que não inventa palavras
que não reprime desejos
que não cria pecados.

O Cristo revolucionário
que recusou o calvário
que fugiu das igrejas
e do hall das funerárias.

O Cristo verdadeiro
não comercializado
não banalizado
nunca ofertado.

O Cristo humano
que chora e ri
que assiste televisão
que escreve poemas.

O cristo redivivo
que mora comigo
que mora contigo
bem dentro de nós.



sábado, 12 de dezembro de 2015

Crônica de Natal

Arquivo recebido por E-mail


Crônica de Natal

Aquele Natal seria diferente. Ela o pressentia no vento quente de começo de dezembro, nas nuvens carregadas que acinzentavam o céu sempre azul de sua cidade, na onda de esperança que animava o ambiente político, nos saraus literários antes inexistentes, nos versos e prosa de um novo livro.
Sabia que correria, como todos, em busca de presentes de última hora. Que pensaria nos amigos, secretos ou não. Que mandaria cartões, agora via internet, escreveria a mensagem para ser lida em família durante a ceia. Que compraria luzinhas para enfeitar a fachada de sua casa. Que ajudaria alguma entidade assistencial.
Mas por que aquela sensação de que algo inusitado estava para acontecer? Aquela angústia fina, que doía no peito, tirava-lhe o ar, dando-lhe sensação de desmaio?
Buscava a resposta no vento, nas compras, nos cartões, na mensagem, nas luzinhas, nos amigos. Mas só via o reflexo de sua própria busca.
A cada vez que ouvia “Noite Feliz” emocionava-se mais do que nos anos anteriores, a cada vez que via uma árvore de Natal, encantava-se mais do que de costume. Aquele Natal prometia.
Chegaram os parentes, as compras foram feitas, as luzinhas colocadas e meticulosamente testadas, os garotos do albergue devidamente presenteados. Tudo parecia correr como sempre corria.
Mas, na véspera da véspera, quando ainda sentia sobressaltos, abriu uma correspondência, esperada para janeiro. Abriu sozinha, vibrou sozinha. Sua filha, filha única, passara no vestibular, justamente na faculdade com que tanto sonhara. Ela não conteve o grito de alegria e, qual animal ferido, gemeu sozinha.
Agora entendia os sobressaltos. Este Natal estava sinalizando uma nova fase em sua vida. Este Natal era a metáfora de outro nascimento: o de sua filha, em uma nova cidade, em uma nova condição.
Apertou os lábios, foi até o quarto acordá-la, abraçou-a como nunca, sentindo um misto de orgulho e pena de si mesma. A filha nascia, ela ficava; a filha partia, ela continuava. Em um minuto, vieram-lhe à mente cenas da infância (breve infância!) daquela que hoje é mulher. Cenas do parto, de noites insones, de festas de aniversário, de teatros encenados ao ar livre, passeios na praia e em parques, namoricos precoces, primeira comunhão, aulas de perseverança... Tudo passou vertiginosamente como num filme em preto e branco. Tudo era passado.
E, na véspera da véspera, entendeu porque o seu Natal seria diferente: pela primeira vez haveria, em sua casa, um parto à moda antiga. Não do menino Deus, mas da menina-mulher que também tinha uma missão a cumprir. E para que isso pudesse se concretizar, fazia-se necessário o corte do cordão umbilical. Mesmo que sangrasse, mesmo que doesse.
Enfim, a noite de Natal, os presentes sob a árvore, as luzinhas acesas. Ela estava mais bonita, com uma beleza singela da mãe que aprendeu, como Maria, que o filho é para o mundo. Colocou mais emoção nas palavras da mensagem que leu, mais alma na oração, mais calor em todos os abraços. Sim. Aquele Natal foi diferente, pois ela pariu, como a virgem, um ser humano que se abria para o mundo escancarado. Mas, também como a Virgem, naquele Natal, ela pôde ver a estrela mais reluzente, sentir a brisa mais suave, ouvir a mais doce melodia da Vida que desabrocha da dor.
[Vera Márcia Paráboli Milanesi in Prosas e Versos de Natal]




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Las rosas

Arquivo recebido via E-mail

"La felicidad nace como las rosas: de las espinas y los trabajos." [Diego Saavedra]




domingo, 6 de dezembro de 2015

Ainda me lembro

Imagem recebida por e-mail


Ainda me lembro...
Marilda Mateus de Oliveira



Isso já faz muito tempo.
Mais ainda me lembro.
Foi o melhor tempo, dos tempos...
Numa cidade onde nasci, cresci...
Mas nem mesmo com o passar 
Dos anos esqueci...

As noites ficavam iluminadas
As ruas enfeitadas...
E ao longe ouvia o sino tocar...
O coração batia forte!
Era para ver o papai Noel passar...

Eu corria atrás
Só para poder um presente ganhar
Lembro-me que mamãe e papai
Não podiam me dar...

Corria para casa com o brinquedo 
nas mãos.
Com lágrimas nos olhos de felicidade
Gritava "Papai Noel" veio trazer
O que neste natal me faltava...

Parecia um sonho
Um sonho que vivi...
Hoje a velhice no meu
Rosto chegou, com uma lágrima nos olhos
E com um sorriso
Apagado pelo tempo...

Me lembro.
Do meu tempo de criança
De um Natal que não
Vou viver jamais...
Ainda me lembro!

Desse tempo que não vou
Esquecer jamais
Mas enquanto viver
Vai ser sempre me lembrar...
Das noites de Natal em que vive...
Ainda me lembro!!!



sábado, 5 de dezembro de 2015

Pai, começa o começo

Arquivo CD Expert

Pai, começa o começo


"Quando criança, sempre que eu pegava uma tangerina para descascar, ia até meu pai e pedia: - Pai, começa o começo! O que eu queria, era apenas que ele fizesse um rasgo na casca da tangerina, que é sempre o mais difícil e resistente. Principalmente para as mãos de uma criança. Depois disso, quase sempre, ele acabava descascando toda a tangerina. Mas o gostoso mesmo era descascar a tangerina com minhas próprias mãos, a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito. Meu pai já faleceu há muitos anos e há tempos (bastante) não sou mais criança...
Mesmo assim, até hoje, quando preciso descascar uma tangerina da casca dura e grossa, eu sinto desejo grande de tê-lo ainda vivo ao meu lado, para, pelo menos, começar o começo! As tangerinas são as dificuldades, os obstáculos e lutas da vida! É preciso descascar tangerinas na vida familiar, no trabalho, no estudo, nos relacionamentos familiares, amorosos ou de amizade, nos problemas de saúde, perdas, mortes, traumas, separações, nas dificuldades financeiras, e ainda em momentos de decisão e desafio! Em certas ocasiões, essas tangerinas  são mais parecidas com um enorme abacaxi! E para descascar o abacaxi é preciso faca bem afiada, cuidado, paciência, habilidade e experiência!
A segurança que eu sentia ao ser atendida pelo papai quando pedia para começar o começo, era o que me dava certeza que conseguiria chegar até o último pedacinho da casca e saborear a fruta! Essa sensação que sentia com meu pai terreno, me levou a pedir ajuda para Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai me ensinou que o Pai do Céu é  eterno e que seu amor é a garantia de nossas vitórias.
Quando a vida parecer muito grossa, dura e difícil como a casca da tangerina, para as mãos pequenas e frágeis de uma criança ou como um enorme abacaxi, para suas mãos de adulto, lembre-se de pedir a Deus: Pai, começa o começo!? Ele não só começará o começo, mas irá descascar toda a tangerina ou o imenso abacaxi para você. Não sei que tipo de fruta você vai encontrar pela frente neste novo ano. Nem quais frutas me esperam. Sei apenas que vou continuar lembrando do carinho com que papai atendia aos meus pedidos. E aí vou me garantir no amor eterno do Pai do Céu para pedir sempre que for preciso:
- Pai, começa o começo!?
[de Elma Eneida Bassan Mendes in Prosas e Versos de Natal]




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Quem Olha

Autoria de Susan Hoerth


"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta." [Carl Jung]