domingo, 15 de maio de 2016

Livre Canto

Imagem da Internet
Livre Canto 
Paulo Bonfim


Sobra-me o livre canto
que lego aos herdeiros
de culpas irremissíveis.
(Horizonte falho
pois de mim nascido)
Sobra-me o atalho
onde vou do bem ao mal
sobre lajes gastas
de me indecidir.

Sobra-me um hausto de amor,
episódio de céu
estrangeiro em meus pulmões.

Sobra-me o tema
adulto,
andeja vocação
em mim tentando
o risco de prosseguir.


sábado, 14 de maio de 2016

Leitura

Arquivo recebido por e-mail

"A FiloCzar é uma raridade: uma livraria localizada na periferia paulistana. Em meio à paisagem dominada por bares e igrejas evangélicas, as estantes apinhadas co 3 mil livros chamam a atenção de quem passa pela rua. "Tem gente que entra aqui e conta que nunca tinha visto uma livraria na vida", diz Cesar. No bairro, os livros ainda são objetos raros, e a leitura uma atividade exótica. "A biblioteca pública mais próxima fica a 40 minutos de ônibus", conta. Sem livros à mão, ele encontrou as primeiras leituras nos jornais amassados que a família usava para embrulhar compras. Não parou mais - apesar dos conselhos das pessoas à sua volta, que diziam: "não leia tanto, senão vai ficar doido". [in "Para ler o Mundo" de Fausto Salvadori na Apartes nº 19/2016]



sexta-feira, 13 de maio de 2016

Liberdade

Imagem da Internet


"Liberdade é uma possibilidade de ser melhor, enquanto que escravidão é a certeza de ser pior."  [Albert Camus]




domingo, 8 de maio de 2016

Crepuscular

Imagem da Internet

Crepuscular
Paulo Bonfim


Quando a tarde afogar toda a inocência,
É preciso partir. Galgar as dunas,
Sonhar balsas no lodo das lagunas
E sentir junto aos pés essa inclemência

De sáfaras colheitas. E a vivência
Povoá-la de infinito nas lacunas
Herdadas, e plantar outras colunas
Na colina de vento, sobre a ardência.

Dos sentidos enfermos fustigados.
É preciso partir mesmo que a onda
Do que há de vir imunde os desgarrados;

Gravaremos a fogo nossa sorte:
- Entre o verbo partir e a frase - sonda,
A força de viver e o dom da morte.



sábado, 7 de maio de 2016

Gravar sons

Imagem encontrada no livro
"Thomas Edison", 'cenas do
ano 200', desenho do final do séc.19 



"Edison sempre vira o  fonógrafo como um recurso para a atividade empresarial. Achava que podia ser usado para ditar cartas, e logo muitas empresas americanas estavam utilizando o aparelho exatamente com essa finalidade.
Assim que o fonógrafo foi lançado no mercado, o público mudou de ideia. Os ouvintes mais exigentes ficaram encantados com o aparelho mágico, que no conforto de uma sala de estar reproduzia o som de um coro, orquestra ou órgão, tocando Handel ou outro compositor erudito. As crianças adoravam as bonecas falantes de Edison, que recitavam versos infantis ('O Carneirinho de Mary', inclusive). E o público em geral gostava de colocar moedas em uma versão precoce da vitrola automática (o 'nickelodeon').
O que quer que seu inventor tivesse planejado, a verdadeira função do "escritor de som" era entreter. E ainda é. O fonógrafo foi substituído pelos discos e pelo gramofone, de Emile Berliner. Mas nada pode tirar o lugar de Edison como o homem que, nas décadas de 1870 e 1880, deu ao mundo a possibilidade da gravação de sons."  [in Thomas Edison de Anna Sproule]




sexta-feira, 6 de maio de 2016

Luz Elétrica

Imagem da Internet

"Nós estamos indo longe com a luz elétrica, muito mais do que pude imaginar logo de início. Só Deus sabe aonde tudo isso vai parar!" [Thomas Alva Edison]




domingo, 1 de maio de 2016

Invocación

Imagem CD Expert

Invocación
Jorge Guillén  (1893 - 1984)


Sabes callar. Me sonríe,
Amor, desnuda tu boca.

Una espera - como un alma
Que desenvuelve su forma - 
Sobre los labios ondula,
Se determina, se aploma.
        Yo quiero profundizar,
        Profundizar - imperiosa,
        Encarnizada ternura -
        En tu frescor, en sus conchas.

Con el beso, bajo el beso
Te busco, te imploro toda,
Esencial, feliz, desnuda,
Radiante, consoladora.
       Consuelo hasta el más recóndito
       Desamparo de la sombra,
       Consuelo por plenitud
       Que a la eternidad afronta.

Sabes callar. Me sonrié,
Amor, desnuda tu boca.